China coloca industrialização de economias africanas na agenda internacional

2017-04-09
Fonte: Macauhub
Foto por: Macauhub

A continuação dos baixos preços das matérias-primas levou países como Angola, Guiné Equatorial e Moçambique a colocar maior urgência na diversificação económica, numa altura em que a industrialização do continente tem apoio de grandes parceiros internacionais, sobretudo a China.

A continuação dos baixos preços das matérias-primas levou países como Angola, Guiné Equatorial e Moçambique a colocar maior urgência na diversificação económica, numa altura em que a industrialização do continente tem apoio de grandes parceiros internacionais, sobretudo a China.
Um relatório preparado para a última cimeira do G20, em Hangzhou (China) em setembro de 2016, contém um conjunto de recomendações para os países africanos, incluindo, de forma inédita, uma referência ao que é apelidado de “Nova Revolução Industrial”, reforço do acesso a financiamento interno e externo, além de maior integração do comércio global e regional.
O relatório, tal como as conclusões da mais recente cimeira ministerial do Fórum de Macau, coloca o foco também no apoio ao desenvolvimento da agricultura e agro-indústria, além da necessidade de transferência de tecnologia, investimento em eficiência de energia e materiais e promoção de tecnologias e indústrias sustentáveis em ternos ambientais.
Li Yong, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, defende em artigo recente que África “pode facilmente tornar-se num potentado económico global na próxima década”, mas que para tal “tem de se industrializar.”
A questão é como. A resposta curta é dinheiro e ação. Temos de desafiar a comunidade internacional e parceiros de desenvolvimento a sustentar as suas declarações com compromissos financeiros reais. E temos de construir parcerias para executar esses programas”, adianta Li.
África está bem posicionada para se industrializar. Além da sua riqueza maciça de recursos naturais, o continente tem um perfil demográfico favorável (a sua população em rápido crescimento significa que em breve terá a maior força laboral do mundo) e elevadas taxas de urbanização. Também beneficia de uma diáspora com formação elevada”, refere.
Através de reformas, diz Li, poderá abrir-se o caminho a parcerias público-privadas que criem investimento no desenvolvimento e manutenção de infraestruturas, facilitando ao mesmo tempo a cooperação com organizações internacionais e instituições financeiras internacionais, que podem providenciar fundos adicionais.
A mais recente cimeira do Fórum de Macau, em Outubro de 2016, terminou com o anúncio de apoio à industrialização dos países de língua portuguesa, na linha do plano de Ação do Fórum para a Cooperação China-África de 2015, em Joanesburgo.
Na conferência ministerial de Macau, o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, anunciou linhas de crédito chinesas para a África de língua portuguesa e Timor-Leste no valor de 2000 milhões de yuan (cerca de 270 milhões de euros), nos próximos três anos, destinadas a promover projetos de infraestruturas, mas também a sua industrialização.
Foi ainda assinado um memorando de entendimento do Fórum de Macau relativo à cooperação em capacidade produtiva, que prevê a criação de um grupo de trabalho, que funcionará no âmbito do Secretariado Permanente do Fórum e que terá como função “coordenar o planeamento da cooperação, estabelecer ligações entre políticas de desenvolvimento e criar uma base de dados de projetos de cooperação em capacidade produtiva.
Na Cimeira do G20, em Hangzhou, a China assumiu o objetivo de liderar a industrialização em África e nos países subdesenvolvidos com apoio dos líderes das economias mais desenvolvidas a esse objetivo.
A diversificação económica e reforço da capacidade produtiva saltou para o topo da agenda dos países de língua portuguesa com a quebra acentuada dos preços das matérias-primas a partir de 2014, que deixou países produtores de petróleo como Angola e a Guiné Equatorial em dificuldades económicas e financeiras.
Na sua última mensagem de ano novo, o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, assumiu as dificuldades que o país enfrenta, definindo como rumo o alargamento da base económica.
Situação semelhante enfrenta a Guiné Equatorial, terceiro produtor petrolífero africano, que está a tentar diversificar e atrair investimento estrangeiro através da chamada Holding 2020, uma sociedade de investimentos e participações do Estado dotada de mil milhões de dólares.
Em Moçambique, está em aplicação, com o apoio da China, um programa denominado “Cooperação da Capacidade Produtiva”, que visa apoiar a industrialização do país, promovendo as exportações e diminuindo as importações.

Março 2017

Bookmark and Share