Vhils fez mural de Camilo Pessanha em Macau

2016-12-13
Fonte: Notícias ao Minuto
Foto por: Lusa

 

O artista Alexandre Farto, conhecido como Vhils, inaugurou no passado dia 09 de dezembro, um mural com uma imagem do poeta Camilo Pessanha, no jardim do Consulado de Portugal em Macau, cidade onde o poeta viveu e morreu.
"Conheço parte da obra dele e foi uma pessoa relevante para a história de Macau, mas a ideia aqui não é fazer julgamentos de história, nem de nada. O nome da peça é 'Invisível, Visível' e a ideia destas obras, que fazem sempre uma ligação com a história local, é tornar essa história que muitas vezes está invisível, visível, sem julgamentos. É basicamente expor a história e gerar a discussão em relação à pessoa e à obra", disse Vhils à agência Lusa.
O artista disse que "o trabalho de pesquisa", para fazer um mural em Macau, "foi intenso e levou algum tempo", mas a conclusão foi que, "com a obra e a relevância que ele [Pessanha] tinha para a história de Macau, era a pessoa certa", agradecendo o apoio da Casa de Portugal e do Consulado-Geral de Portugal em Macau, neste projeto.
Vhils explicou à Lusa que, para fazer o mural, "a imagem é trabalhada, é feito um desenho, é feita uma divisão de cores desse desenho e, depois, são pintados na parede esses diferentes tons e, dependendo do tom e da própria parede, dos diferentes tons que vai tendo, cada tom vai a uma profundidade mais funda e a outra mais superficial, e é jogar com estas camadas que o muro tem que, no final, revelam e fazem um rosto".
"É quase uma escultura no final, mas a partir de uma imagem", afirmou.
No mês passado, Vhils fez um mural com José Saramago, em Madrid, e disse agora à agência Lusa que "é possível" que surjam outros trabalhos seus com escritores portugueses: "Depende dos projetos e depende muito das situações. Este é um projeto específico que tenho estado a trabalhar, que tem muito a ver com a literatura, também com a relevância de alguns poetas e escritores portugueses, mas sim, é possível".
O mural de Macau resultou de uma parceria entre a Casa de Portugal em Macau e o Consulado-Geral de Portugal, em Macau e Hong Kong.
Na inauguração, a Presidente da Casa de Portugal, Amélia António, disse que este é "um marco no trabalho de divulgação da cultura portuguesa e dos artistas portugueses" da Casa de Portugal em Macau, que este ano comemora 15 anos, e manifestou especial satisfação por poder, neste aniversário, "entregar à cidade, aos residentes, aos turistas" uma obra de Vhils, que "tem tudo a ver" com Macau.
O Cônsul-Geral, Vítor Sereno, destacou que esta é a primeira obra em Macau e, numa representação diplomática portuguesa de Vhils, "um dos nomes mais aclamados do panorama da arte urbana mundial".
"Devemos e podemos ficar felizes sabendo que a República Popular da China é presentemente um dos grandes investidores em Portugal em termos económicos, mas não nos podemos esquecer de outras valências como é o caso da cultura, em que a diplomacia tem um papel fundamental a desempenhar (...), e de outras vertentes que nos permitem construir as chamadas pontes reais de afeto", afirmou.
"Através do génio de Vhils e da imortalidade de Pessanha, estamos a celebrar Portugal a dez mil quilómetros de distância e a cimentar os laços seculares portugueses com os nossos amigos da Região Administrativa Especial de Macau e da República Popular da China", acrescentou.
Na inauguração estiveram também dois trinetos de Pessanha, Vítor e Filomeno Jorge, que se disseram "apanhados de surpresa" com a homenagem ao poeta, que morreu há 90 anos.
"Fiquei até bastante comovido", disse Vítor Jorge à Lusa, enquanto Filomeno falou "num dia de alegrias".
Os dois consideraram que o mural é "uma obra magnífica" e que a imagem é "igualzinha" à de uma fotografia do trisavô.
Vítor Jorge acrescentou que esta foi a primeira homenagem ao trisavô a que assistiu na vida, e considerou-a "justa", lembrando que um grupo de personalidades em Portugal queria levar os restos mortais de Pessanha para o Panteão Nacional, em Lisboa.
No entanto, a mãe, Ana Jorge, bisneta de Camilo Pessanha que hoje tem 84 anos, opôs-se.
"Para mim, era uma honra, mas a minha mãe recusou. Tentei convencê-la muitas vezes, mas não consegui, paciência. Ela é muito oriental, muito supersticiosa e não quer que ninguém mexa na campa", explicou.

Dezembro 2016

 

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