FMI prevê crescimento económico de 3,2% para Cabo Verde

2016-12-13
Fonte: Portugal Digital/ Panapress
Foto por: Wikipedia/ Cayambe

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento económico de 3,2 porcento para Cabo Verde em 2016, sustentado pelo investimento direto estrangeiro (IDE), pela procura interna, agricultura e turismo e devendo também beneficiar da ligeira retoma na Europa.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento económico de 3,2 porcento para Cabo Verde em 2016.
O relatório final da missão técnica do FMI que esteve em Cabo Verde em outubro último, e aprovado a 18 de novembro pelo conselho de administração, indica que o crescimento previsto é sustentado pelo investimento direto estrangeiro (IDE), pela procura interna, agricultura e turismo, devendo também beneficiar da ligeira retoma na Europa.
Nesta que é última avaliação deste ano da situação económica e financeira de Cabo Verde, no quadro do Artigo IV, o FMI revê em baixa as previsões de crescimento apresentadas em outubro no relatório sobre as Perspetivas Económicas Regionais para a África Subsariana, que apontavam para um crescimento de 3,6 porcento este ano e de 4 porcento em 2017.
Também para 2017, o FMI aponta agora um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,7 porcento.
O relatório assinala, a nível interno, o início da recuperação da confiança dos consumidores e dos investidores e estima a manutenção da taxa de inflação.
O documento aponta também que, em 2015, o crescimento económico cabo-verdiana estagnou em 1,5%, ligeiramente abaixo do 1,9% registado em 2014.
No entanto, o FMI assinala que, o decurso desse ano, o turismo recuperou e as remessas "mantiveram-se robustas", mas que o IDE e o investimento público abrandaram.
O relatório dá conta ainda que a taxa de desemprego em Cabo Verde diminuiu para 12,4 porcento assim como o desemprego juvenil que, no entanto, se manteve elevado em 28,6 porcento.
De acordo com o relatório, no primeiro semestre de 2016, o turismo prosseguiu o seu crescimento forte e IDE acelerou, refletindo um grande aumento dos projetos planeados.
O documento destaca igualmente o fato do Banco de Cabo Verde (BCV) ter reduzido a sua taxa de juro diretora em 25 pontos base, para 3,5 porcento em fevereiro de 2015, assinalando no entanto que, mesmo assim, "as taxas de empréstimo têm apresentado uma resposta lenta devido ao excesso de dívida das empresas e à aversão dos bancos ao risco".
O relatório assinala uma diminuição do défice orçamental para 4,1 porcento do PIB em 2015, cerca de 3,4 pontos percentuais abaixo do ano anterior, sobretudo por causa do melhor desempenho das receitas.
As necessidades financeiras totais, incluindo a concessão de crédito a empresas públicas, diminuíram também 2,3 pontos percentuais para 8,3 porcento do PIB por causa da redução do programa de investimento com vista ao abrandamento da acumulação de dívida pública.
"A dívida pública total chegou aos estimados 125,8 porcento do PIB no final de 2015, o que reflete o aumento dos investimentos públicos com financiamento externo desde 2008, associado a um crescimento lento, a preços em queda e à recente apreciação forte do dólar dos Estados Unidos", adianta o FMI.
Os membros do conselho de administração do FMI louvaram "o progresso económico e social de longo prazo de Cabo Verde e o fato de a economia parecer estar a começar uma recuperação com perspetivas de aceleração acentuada do crescimento em 2016. Contudo, alerta que o "país está vulnerável a choques externos e que a sua dívida pública é elevada".
Assim sendo, recomendaram às autoridades cabo-verdianas que fomentem a consolidação orçamental e implementem "reformas estruturais para promoverem o setor privado, enquanto principal motor de crescimento, e fomentar a produtividade e facilitar o crescimento de longo prazo".

Dezembro 2016

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