Zambujo canta Chico Buarque

2016-11-15
Fonte: Jornal de Notícias

 

António Zambujo lançou "Até Pensei que Fosse Minha", um álbum que inclui 16 temas do vasto reportório de Chico Buarque.
António Zambujo decidiu fazer um parêntesis no estilo musical dos seus últimos discos. Entre os concertos do seu anterior trabalho "Rua da Emenda" e os 28 espetáculos esgotados dos "Ujos" - António Zambujo e Miguel Araújo - nos coliseus, o músico de Beja pensou em algo diferente. Recuou um pouco até às suas origens musicais, aos músicos que aprendeu a ouvir e que ajudaram à sua formação enquanto intérprete. Um desses primeiros vícios foi o jazz, o segundo a música brasileira. Daí que, as suas frequentes idas ao Brasil acabassem, naturalmente, por se materializar num disco. E assim surge "Até Pensei que Fosse Minha", em que Zambujo canta apenas temas de Chico Buarque.
"Este disco, apesar de ser uns parênteses na carreira, acaba por ser uma inevitabilidade. O facto de, nos últimos tempos, ter havido uma maior aproximação entre mim e o Chico Buarque, fez com que tudo fizesse sentido. Então foi isso que aconteceu", conta o músico.
António Zambujo reconhece que já ia sendo tempo de lançar um disco novo. Até já tinha alguns temas originais preparados para uma eventual gravação. "Mas achei melhor adiar esse projeto".
As suas frequentes idas ao Brasil, onde quer a crítica quer o público se mostraram logo de início rendidos à sua voz e talento, acabaram por permitir que António Zambujo se encontrasse muitos dos músicos e interpretes que sempre admirou mas que jamais pensara vir a conhecer.
Agora, com "Até Pensei que Fosse Minha", disco que chega hoje às lojas, António Zambujo homenageia "a genialidade daquele que é um dos maiores autores da música cantada em português". Mas, para chegar a este resultado, não foi fácil. "O Chico tem uma carreira enorme, repleta de boas canções. A pré-seleção para este disco tinha quase 100 temas. Depois com a ajuda de algumas pessoas incluindo o próprio Chico, acabamos por ficar com estes 16. O primeiro critério, claro está, foi o meu gosto pessoal. A única que eu sabia que teria de gravar, porque fazia sentido porque tem a ver com Portugal, foi "Tanto Mar". Depois, o processo tornou-se mais fácil, porque, à medida que fazemos o disco, as músicas já estão mais ou menos feitas na nossa cabeça, e é só tentar descobrir o caminho que cada uma quer tomar. Foi isso que aconteceu. E os arranjos do Marcelo Gonçalves, que fez a direção musical, aliados aos contributos do João Mário Linhares, que é produtor executivo, e do próprio Chico, permitiram que descobrisse mais facilmente os caminhos interpretativos".
E assim as canções ganharam nova vida. "Este disco é uma visão muito pessoal da obra do Chico. De outra forma não faria sentido estar a gravar algo só para recantar. Tentamos personalizar ao máximo O que eu gostava mais era que as pessoas, ao identificarem a minha música, os meus discos, o fizessem não por ser uma grande voz, ou um virtuoso, mas sim pela identidade. Isso sim, é o mais importante. Saber que as pessoas, ao ouvirem um disco, conseguem perceber que sou eu a cantar, que a música e feita por mim e perceberem toda a evolução".
De "Até Pensei Que Fosse Minha" fazem parte algumas das canções mais emblemáticas do percurso de Chico Buarque, como "Cálice", "Valsinha", "Tanto Mar" ou "Geni e o Zepelim". Chico Buarque interpreta com António Zambujo o clássico "Joana Francesa". Já a fadista Carminho participa no tema "O Meu Amor" e a cantora brasileira Roberta Sá tem uma participação especial na canção "Sem Fantasia".
O álbum foi produzido por Ricardo Cruz e Marcello Gonçalves, sendo que este último é ainda responsável pela direção musical e arranjos. Além de colaboradores de longa data como Ricardo Cruz (no contrabaixo), Bernardo Couto (na guitarra portuguesa), José Conde (clarinete) ou André Conde (trombone) este novo trabalho conta ainda com a participação de músicos como o Trio Madeira Brasil, Marcello Gonçalves no violão de sete cordas, Sérgio Valdeos e Zé Paulo Becker no violão, Ronaldo do Bandolim no bandolim, João Moreira no trompete, Anat Cohen no clarinete, Paulino Dias na percussão ou Marcelo Cadi no acordeão, entre outros.

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