“Gentleman da morna” homenageado no Morna Jazz Festival

2016-10-10
Fonte: VD/A Semana
Foto por: Notícias do Norte

 

O músico Joaquim “Djack” Monteiro, consagrado gentleman da morna, vai ser homenageado no próximo dia 23, durante a 4.ª edição do Morna Jazz World Music Festival, que acontece em Ribeira Bote, São Vicente. A iniciativa partiu de um grupo de residentes da «Zona Libertada», em reconhecimento a este cantor, compositor e intérprete de renome. “O eterno romântico” da música nacional, autor da célebre morna Judite, não fez da música a sua profissão por razões familiares, mas compôs e interpretou músicas que marcaram várias gerações de cabo-verdianos.
Com dizem os populares, o reconhecimento deve ser feito quando a pessoa tem vida e saúde. É assim a justa homenagem ao artista Joaquim Monteiro, trovador de renome, que se celebrizou com “Regresso”, “Capricho”, “Judite”, “Sentimento”, obras da sua carreira de compositor. E mesmo se confessa que preferiu escrever e oferecer as suas letras a outras pessoas, também interpretou canções de outros artistas e fez várias atuações nas noites de Mindelo. Destaca as do antigo Grémio Desportivo com a falecida Cesária Évora, com quem gravou dois discos na década de 60. Um desses trabalhos foi com o Grupo Mindelo. Do seu curriculum consta ainda o LP “De Mindelo e suas crianças à UNICEF».
Aos 86 anos, dos quais dedicou quase 60 anos à música, Djack Monteiro conta que trabalhou nos Correios de Cabo Verde, depois dum início como funcionário da antiga Companhia Inglesa do Telégrafo. Agora diz-se surpreendido com a homenagem que lhe faz o MJF: “Esta homenagem para mim foi uma surpresa, porque não sabia de nada. Mas vejo isto como prova do reconhecimento pelo que tenho feito durante todo este tempo pela música de Cabo Verde. Penso que, com o meu trabalho, engrandeci a cultura da nossa terra”, considera Djack Monteiro com orgulho.
Apesar de não ter seguido a carreira artística de forma profissional devido a razões familiares, alega que o pouco que fez foi por amor à música popular cabo-verdiana. “Já me fizeram algumas críticas e me perguntaram ‘Caso tivesse seguido uma carreira artística, como é que seria?’. Respondo que achei melhor não fazer a vida na música, porque um artista tem que estar em vários lugares. Na minha juventude, isto não era possível, sendo que era o único filho homem por parte da minha mãe. Tinha de trabalhar e sustentar a família. Não poderia abandonar a minha mãe”, explica este «gentleman» da morna.
Nesta entrevista com o suplemento Kriolidadi, que aconteceu na sua casa, Djack Monteiro destacou algumas das condecorações expostas nas paredes da sua sala. A condecoração pelo Presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, que lhe atribuiu em 2011 a medalha do Vulcão do Fogo. A estatueta que a Rádio Nova lhe deu em reconhecimento do seu papel como comentador musical radiofónico. Uma medalha comemorativa dos 25 anos da Televisão Nacional. Um Diploma da produtora Boa Música.
Djack Monteiro começou a cantar ainda garoto, durante umas férias em Santo Antão. As pessoas ofereciam-lhe animais domésticos e verduras para cantar. Ganhou o gosto pela música. Considerado um eterno romântico, diz que já não tem forças para subir ao palco para fazer espetáculos. Mas pretende, no dia da homenagem, presentear o público com pelo menos duas mornas.
Em jeito de despedida, o artista Djack Monteiro que imortalizou músicas como “Judite”, deixa um apelo aos seus pares: “Peço às pessoas que se dedicam à música de Cabo Verde para levá-la a todo o mundo, para que a nossa música se torne cada vez mais conhecida a nível internacional”.

Setembro 2016

 

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