Portugal injeta 4,5 mil milhões para 4.ª revolução industrial

2017-03-13
Fonte: Dinheiro Vivo
Foto por: Cortesia de hywards em FreeDigitalPhotos.net

Mais de 20 mil trabalhadores vão beneficiar de formação tecnológica para estar a salvo das dificuldades criadas pela digitalização.

A economia portuguesa vai receber uma injeção de 4,5 mil milhões de euros (metade dos quais via fundos europeus) nos próximos quatro anos, no âmbito da quarta revolução industrial (Indústria 4.0). A estratégia ontem apresentada em Leiria conta com um total de 60 medidas. A ambição é colocar Portugal, pela primeira vez, na linha da frente da indústria. Para isso, a formação dos trabalhadores e o reforço das parcerias entre grandes empresas, startups e instituições de ensino são os principais pilares desta estratégia e representam nove em cada dez medidas.
Numa altura em que as empresas enfrentam a transformação digital, há mais de 20 mil trabalhadores que vão beneficiar deste programa. Para que os trabalhadores não sejam postos de parte, a qualificação dos trabalhadores é um dos objetivos do Governo. “A relação entre o ser humano e robot não é como o ovo e a galinha”, assinalou o Primeiro-Ministro, António Costa, no final da apresentação das 60 medidas; as propostas foram recolhidas ao longo dos últimos 10 meses juntos de mais de 200 entidades e compiladas pela consultora Deloitte. A aplicação das medidas será supervisionada pela COTEC (Associação Empresarial para a Inovação). A atualização do modo como funcionam as empresas é fundamental para que o país não fique para trás perante os avanços da economia e dos consumidores, que procuram cada vez mais soluções personalizadas e com maior rapidez. A Autoeuropa é um dos exemplos de transformação. Na fábrica do grupo Volkswagen há veículos autónomos (AGV) que transportam, sozinhos, as peças do armazém para a linha de produção. “Qualquer aplicação da indústria 4.0 tira pessoas da rotina e coloca-as em locais mais interessantes”, conta Miguel Sanches ao Dinheiro Vivo. O Diretor-Geral da Autoeuropa destaca também que a fábrica atualmente é uma incubadora de desenvolvimento de soluções com startups. As novas empresas tecnológicas também já colaboram entre si. A Prodsmart, uma startup que monitoriza a produção a partir do ‘chão de fábrica’, associou-se à BeeVeryCreative e à Cadflow (especialistas em impressão e software de modelação) e mostrou como se pode criar uma mini fábrica de impressão personalizável 3D. “Posso estar em Lisboa e mandar fazer uma impressão em Aveiro”, disse Gonçalo Fortes, CEO da Prodsmart. A quarta revolução industrial também é sentida na área da mobilidade. Basta reunir vários sensores e giroscópios de smartphones para avaliar quantos passageiros entram e saem dos autocarros, como demonstrou a Bosch, que está a arrancar os testes desta solução em Braga, uma das fábricas em Portugal. Os dados recolhidos pelos sensores vão permitir ao ser humano decidir quais devem ser as melhores rotas para os utentes. A associação entre homens e robôs também foi visível na linha de pesagem apresentada pela Sinmetro. O controlo de qualidade é feito num tapete e pretende-se certificar se o peso dos produtos embalados corresponde ao que está no rótulo. Para evitar uma multa, sempre que é detetado um número irregular, o produto é imediatamente retirado da linha por um robot. Ao mesmo tempo, uma equipa está a avaliar os dados que são apresentados em tempo real e que permitem uma reação muito mais rápida do que no controlo manual.

Fevereiro 2017

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