Convergência crescente nas telecomunicações em Portugal

2017-02-12
Fonte: Jornal Económico/ Gonçalo Ponte
Foto por: Cortesia de jannoon028 em FreeDigitalPhotos.net

À semelhança do que se verifica na generalidade dos países da UE e EUA, o mercado português de telecomunicações apresenta um elevado grau de saturação. Dominado por três grandes operadoras, a diferenciação entre serviços no setor é pouco significativa, o que obviamente estimula um ambiente concorrencial focalizado no preço.

A par dos seus congéneres europeus, a indústria enfrenta em Portugal obstáculos significativos à geração de receita, nomeadamente (i) os despoletados pela atual conjuntura económica (baixo nível de rendimento disponível das famílias); e (ii) a taxa de penetração de serviços de telecomunicações é tão elevada que o número de clientes no sistema encontra-se muito próximo do limite, i.e. o sistema não é alimentado com novos consumidores, sendo que os consumidores existentes transitam entre as operadoras.
Uma das principais tendências evidentes no setor em 2016 consistiu na crescente orientação para a convergência dos serviços oferecidos, verificando-se um aumento expressivo na adesão dos consumidores a pacotes de quintuple-play (que englobam TV, banda larga fixa e móvel e rede fixa e móvel). De acordo com dados da ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações), a popularidade dos pacotes multiple-play continua a aumentar, com 8,4 em cada 10 famílias a subscrever estes serviços no 3.º trimestre de 2016.
O quintuple-play e o triple play, ambos com 40% das subscrições, são as modalidades contratuais mais populares em Portugal. A migração destes clientes é fruto dos esforços das operadoras no sentido de alavancar as infraestruturas existentes de redes fixa e móvel, reagindo ao panorama económico do país e a uma procura determinada exclusivamente pelo preço, com fraca penetração de serviços premium (3G/4G) e historicamente direcionada para serviços pré-pagos de baixo valor. Em contrapartida, o foco na oferta integrada a preços competitivos tem causado a redução da receita média por cliente (vulgo, ARPU), uma vez que as assinaturas existentes se distribuem agora por múltiplos serviços.
2016 foi também caracterizado pela alteração do ambiente competitivo da industria, sobretudo despoletado por uma estratégia agressiva a nível de preço das ofertas convergentes.
O percurso futuro das operadoras existentes no nosso mercado passará necessariamente por uma contínua adaptação às dinâmicas do mercado, ao nível da criação de pacotes cada vez mais convergentes (de que é exemplo o sextuple-play, ainda sem expressão em Portugal, que adiciona ao pacote quintuple-play serviços de domótica e segurança, e da otimização das infraestruturas.

Janeiro 2017

 

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