Portugal quer ser um país digital e a ideia agrada à Google

2016-12-14
Fonte: Sapo Tek
Foto por: Google

A gigante tecnológica trouxe o seu programa de formação em competências digitais para o mercado português, num investimento “milionário” mais do que justificado. É o Diretor de Assuntos Institucionais da Google Portugal e Espanha quem o diz.

Francisco Ruiz considera que Portugal criou oportunidades únicas em redor da economia digital. “Os portugueses têm um país muito comprometido neste sentido e uma política governamental que está a incentivar os jovens a serem empreendedores”, referiu em declarações ao TeK, à margem do lançamento da iniciativa Atelier Digital.
Depois de passar por “tempos difíceis”, o país fez a aposta certa, comenta o responsável. “Portugal tem tudo para dar um salto estupendo. Quanto mais apostar na economia digital mais rápido vai crescer e mais para trás fica a crise”, elogiou, sublinhando as políticas facilitadoras da criação de empresas e os programas de incentivo ao empreendedorismo.
Portugal está alinhado com os países digital friendly, tem ideias claras para onde quer ir, tem um projeto de país digital em curso”, considera Francisco Ruiz. Uma ideia que parece agradar à Google, pelo investimento que gigante norte-americana acaba de fazer no mercado português, com a disponibilização da iniciativa Atelier Digital.
Sem revelar números precisos, o Diretor de Assuntos Institucionais da Google Portugal e Espanha fala em valores “milionários” para caraterizar a aposta que a empresa faz neste projeto de formação de jovens em competências digitais que na Europa começou há dois anos.
Espanha foi o primeiro país na Europa a acolher a iniciativa, que também marca presença na Bélgica e na Alemanha, para citar outros exemplos, e que acaba de ultrapassar o compromisso inicial a que se propôs de formar dois milhões de europeus em competências digitais.
Agora é a vez de Portugal que também se debate com um problema de desemprego jovem, como se debatia Espanha, e que tem tudo a beneficiar com a formação gratuita proporcionada pela Google.
Francisco Ruiz explicou que os contactos com o Governo português começaram há cerca de um ano, com o executivo a mostrar-se interessado e a direcionar a empresa para os politécnicos. “O nosso investimento é sempre feito da mesma forma: começa sempre numa escala mais reduzida e conforme vai tendo êxito vai sendo alargado. Há dois anos quando começámos o projeto em Espanha foi com 10 universidades e agora estamos com 25. Queremos replicar isso aqui”.
Quanto mais ampla é a iniciativa, logicamente, maior é o investimento, diz o responsável, sublinhando os encargos deste “investimento milionário” são 100% da responsabilidade da Google. Os parceiros, no caso português o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos e SIC Esperança, contribuem com infraestrutura e/ou a sua rede de “contactos”.

"Olá Google": Google Assistant também já fala português
O português que o Assistant fala tem por base o dialeto brasileiro, mas não deverá ter problemas em perceber palavras com um bocadinho menos de sotaque. A atualização ficou disponível desde 5 de dezembro.
Nascido no início do ano, o Google Allo começou por se apresentar ao público como falante de inglês. Percebia o "hello", o "where is the nearest shopping?" e o "book me a restaurant", mas "olá", "onde fica o centro comercial mais perto" ou "reserva-me um restaurante" já ficava fora do seu raio de compreensão.
Isso mudou. No passado dia 5 de dezembro, a tecnológica de Mountain View anunciou que o assistente ficou mais inteligente. Aprendeu hindi e português e já lhe responde com um "bom dia" se o saudar ao acordar.
Para fazer o Assistant transitar do inglês nativo para a sua língua, basta pedir-lhe quando estiver em conversação com ele no Allo: "talk to me in portuguese".
Para além do assistente virtual, a Google estendeu a compreensão do português à funcionalidade de Smart Reply que pode sugerir-lhe respostas rápidas em português através da deteção automática do idioma em que escreve na app.
Tenha em atenção, no entanto, que o português que o Assistant fala e compreende tem por base o dialeto brasileiro. Por isso, se quiser ver imagens de Lisboa, será, provavelmente, mais apropriado pedir que ao Assistant: "me mostra fotos de Lisboa" em vez de "mostra-me fotografias de Lisboa".

Dezembro 2016

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