Daniel David, Presidente do Grupo Soico:

2014-10-08
Fonte: Diário de Notícias
Foto por: Diário de Notícias

Daniel David, o homem que criou o maior grupo privado de media de Moçambique, Soico, encara o mercado português como estratégico e explica que o seu canal STV Notícias, recém chegado a Portugal, pode estreitar afetos e negócios entre os dois países.

 

Preside o maior grupo privado de media e o único de multimédia em Moçambique, líder de audiência no mercado televisivo. Qual é o segredo? O sucesso depende de quatro fatores: a inovação, importantíssima para o grupo Soico, os recursos humanos e a sua capacitação, processos de gestão eficazes e ainda a tecnologia. Investimos na tecnologia de ponta para garantir que esta consiga mitigar eventuais problemas de recursos humanos.

São esses quatro ingredientes que diferenciam o grupo Soico? São quatro pilares que nos diferenciam, e que nos permitem estar ao lado de quem quer consumir os nossos produtos. Trabalhamos para o público e é ele que determina as tendência e o posicionamento deste grupo.

Muito mudou nos media em 14 anos, quando fundou o grupo. Quais os desafios atuais? Há muita influência multifacetada na indústria dos media e um dos maiores desafios é saber como garantir a sua sustentabilidade nesse cenário de influência de takeholders, do público, de empresários, da sociedade civil, de políticos. Todos eles pressionam atualmente e dinâmica da indústria dos media. O futuro depende da capacidade de garantir a sustentabilidade.

Há meio ano, lançou o primeiro canal de informação em contínuo em Moçambique, a STV Notícias, num ano em que os olhos estiveram postos na guerra político-militar. O timming foi certeiro? Numa estratégia de crescimento do grupo e com o momento atual de desenvolvimento económico do país, assinou-se o acordo de paz, vamos ter eleições, este canal vai ser fundamental na gestão da relação entre os empresários que gostam e querem investir em Moçambique e as pessoas que querem saber do país.

Como é que tem sido recebido pelos moçambicanos? Muito bem. A STV Notícias tem sido uma plataforma de debate e de inclusão onde todas as vozes possam ser ouvidas sobre Moçambique, as suas angústias, a cobertura de atividades económicas, sociais, políticas, culturais. Obviamente, ainda precisamos de consolidar o funcionamento, mas ainda é um bebé.

O canal chegou a Portugal pouco tempo depois. Quão importante é o mercado lusitano? É um mercado estratégico, há uma relação umbilical entre Portugal e Moçambique. São muitos anos de relação, empatia, cruzamento quer de famílias quer de negócios. Este vai ser um canal relacional, porque liga as afetividades e os negócios. Com o crescimento que Moçambique que está a ter e com a dinâmica da restruturação de Portugal, pode fortificar parcerias estratégicas, principalmente no desenvolvimento de negócios das PME. Podemos ser um fator de mobilização de sinergias positivas para exportação de produtos portugueses para Moçambique mas também para a dinamização da constituição de empresas portuguesas em Moçambique.

Essas parcerias podem ser feitas com estações de TV portuguesas? Somos um grupo muito aberto, trabalharemos com todas as televisões portuguesas que queiram colaborar connosco.

A STV Notícias só está disponível na NOS. Existem planos de alargar à oferta de outras operadoras? Sim, o próximo passo é passar para a Meo e depois para os outros.

A STV generalista, líder de audiências em Moçambique, também vai chegar a Portugal? É complicado, pelo problema dos direito de transmissão, com regras territoriais.

Que papel pretende ter a STV Notícias junto da comunidade moçambicana em Portugal, até do ponto de vista da saudade? Ninguém desliga dos pais, dos familiares, querem saber como está a mãe, o filho, o tio, a avó. Querem saber como está a casa que deixaram, como está o país. Estão aqui longe, mas o coração está lá. Quem quiser saber de Moçambique, sabe em primeira mão através do nosso canal. A nossa filosofia é content is king, quem tem conteúdos tem tudo.

Na imprensa, lançaram O País em 2005, que chegou a atingir os 15 mil exemplares de tiragem. Como é que conseguiram afirmar-se no mercado? O País é visto como um jornal de opinião, não de massas, funciona para um nicho, para quem tem influência, gestores, universitários, políticos. E chegámoslá pela credibilidade, imparcialidade e a acutilância do nosso jornalismo.

Como é que os jornais podem sustentar-se em plena era digital? A nossa estratégia é concentrarmo-nos no digital. Lançámos há pouco a versão e-paper d'O País. Moçambique tem cerca de 18 milhões de devices, tablets, smartphones, etc. Se 1% dessas pessoas assinarem o nosso jornal, já será muito bom.

Há dez anos, criaram a rádio SFM. Há planos para se expandirem no universo FM? Estamos muito satisfeitos com a SFM, uma rádio jovem e de entretenimento. O nosso plano é continuar a segmentar os nossos produtos e vamos lançar, em breve, mais conteúdos específicos.

 

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