XVIII Fórum AICEP: Sessão de Abertura

Data: 2010-05-03
Localização: Luanda, Angola

A sessão de abertura do XVIII Fórum AICEP, realizada no dia 19 de Abril de 2010, em Luanda, contou com a presença do Presidente da Direcção da AICEP - Dr. Carlos Silva – do Vice-Presidente da Direcção da AICEP e Presidente do XVIII Fórum AICEP – Eng. João Avelino Manuel – e de Sua Excelência o Senhor Ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação do Governo Angolano – Eng. José Carvalho da Rocha.

 

 

Dr. Carlos Silva

O Presidente da Associação iniciou o seu discurso agradecendo a todos os envolvidos na organização do Fórum, destacando a Angola Telecom, os Correios de Angola, a Movicel, o INACOM e a TV Cabo Angola. Em forma de homenagem ao antigo colega Eng. João Beirão, que sempre pretendeu uma associação que integrasse, com os mesmos direitos e deveres, operadores e reguladores, o Presidente destacou as alterações estatutárias aprovadas, naquela manhã, em Assembleia Geral, que incluem como membros plenos da Associação os Reguladores das Comunicações.

O Fórum AICEP, que teve como tema «Convergentes e Conectados», marcou a celebração dos 20 anos desta Associação e segundo o Dr. Carlos Silva assinalou “um momento de viragem”. Momento esse que será um ponto de referência a partir do qual a AICEP pretende iniciar uma nova estratégia de actuação. Esta nova estratégia foi plenamente assumida pelos membros da Associação na Assembleia Geral, tendo ficado definido que a AICEP deverá ser cada vez mais o espaço de convergência de todos os parceiros das comunicações, tendo por missão a promoção e o suporte do desenvolvimento sustentado daqueles e, desta forma, contribuir para um desenvolvimento socioeconómico harmonioso dos países integrantes do espaço lusófono.

O Presidente acrescentou que “esta missão só será totalmente conseguida se a AICEP continuar a ser e a reafirmar o seu posicionamento virado ao futuro e, simultaneamente, continuar a enfrentar o desafio que o actual mundo das comunicações, físicas ou electrónicas nos coloca. E isto só será possível encarando os operadores e reguladores como órgãos complementares do mesmo corpo, que é o das Comunicações”. Desta forma a AICEP irá assumir o papel que lhe é devido no universo lusófono e para o qual está, desde sempre, vocacionada. A Associação será cada vez mais um espaço de agregação que aproxima e culturas e continentes e como tal um espaço potenciador e criador de valor para os parceiros no sector, e sempre num espírito de convergência.

O Presidente referiu ainda que, a AICEP definiu dois pilares de base, numa óptica de convergência, que em articulação entre os operadores e reguladores se orientam em acções com vista à melhoria do desempenho de todos os membros nas áreas operacionais e regulamentares. O Dr. Carlos Silva alertou ainda para o facto de que não devemos esquecer a vertente da sustentabilidade e da responsabilidade social, como resposta da Associação aos seus membros e concidadãos, trabalhadores e fornecedores, enfim todos os parceiros do mundo das comunicações. “Olhando para trás, é indiscutível que a AICEP sempre soube adaptar-se à mudança, assumindo um papel de vanguarda. Soube reunir, desde cedo, os operadores postais e de telecomunicações e os reguladores num claro espírito de convergência entre parceiros, entre iguais, ambos vectores incontornáveis do sector das comunicações”, acrescentou o Presidente.

Por último, o Presidente reforçou uma vez mais a convergência como pano de fundo deste fórum sempre no intuito de criar uma maior proximidade e solidariedade entre os membros, agora e sempre unidos pela língua portuguesa e pela cultura e identidade lusófona.

 

 

Eng. João Avelino Manuel

Como Presidente deste XVIII Fórum e Vice-Presidente da AICEP, o Eng. João Avelino Manuel começou por referir que o sector das comunicações é um dos que têm tido maior índice de crescimento nos últimos anos.

Na opinão do Presidente deste Fórum, e à semelhança de outros sectores, o crescimento ao nível das comunicações tem estado sujeito a vários ventos de mudança e de pressão no actual cenário das telecomunicações: o mercado, a legislação e a tecnologia. “A pressão cada vez maior dos clientes, o avanço e a convergência tecnológica, a liberalização dos mercados, a privatização e o menor envolvimento do Estado, a Re-regulamentação, os vínculos de natureza política, etc, são entre outros, os vectores que têm animado todo o puzzle de crescimento a que temos vindo a assistir no mundo das comunicações, em especial das telecomunicações”, acrescentou o Eng. João Avelino Manuel.

As relações entre operadores, fabricantes e fornecedores de serviços têm vindo a sofrer alterações substânciais, fruto das alterações do mercado e da convergência tecnológica, o que inevitavelmente leva a actuações em parceirias.

O reforço na Qualidade, Agilidade e Inovação, bem como os novos enfoques organizacionais, empresariais e de capacitação, são as armas em exibição no contexto actual de alta competição. “Concorrentes de ontem, aliados de hoje, sócios de amanhã! É assim que o xadrez se tem caracterizado. Quem não se adaptar rapidamente a esta dinâmica corre o risco de falir”, explica o Vice-Presidente da AICEP.

Todo este mercado global pode oferecer oportunidades e ameaças, mas o mais importante é que cada agente saiba diferenciar os elementos que possam potenciar a sua posição, seja ele operador, fabricante ou vendedor de serviços.

O sector das telecomunicações vive, por natureza, as tendências de globalização e internacionalização da economia mundial. E esta aponta para um rápido crescimento da livre circulação dos capitais, dos bens e serviços, da informação, bem como a livre deslocação dos agentes animadores e das empresas. Por isso, as estratégias, modelos de organização e políticas de produção, têm de ser pensadas em termos globais, sem prejuízo do enquadramento e das premissas locais.

Na opinião do Presidente deste Fórum, é provável que “África represente a esperança de sobrevivência e do crescimento dos grandes fornecedores de equipamentos e serviços, dada a dimensão dos recursos financeiros e das matérias necessários, para que este continente se aproxime dos indicadores de comunicações, indicadores estes fixados pelos seus próprios Governos e pelos organismos internacionais”.

O grande desafio reside na criação de redes estruturantes e de acesso, que permitam que cada cidadão tenha acesso aos serviços básicos de comunicação, e que desta forma contribuam para a redução do fosso digital, ou melhor, para a inclusão digital.

A inclusão digital só poderá ser uma realidade, se na prática ocorrerem acções ao nível da instalação de infra-estruturas, ao nível da educação e formação informática, ao nível da disponibilização de energia primária, lá onde for necessário, da prática de preços justos, etc.

Enquanto os países desenvolvidos, ao nível das Telecomunicações, já atingiram a maturação e uma penetração de acesso aos serviços, assinalável, África ainda constitui um mercado por descobrir e com um elevado potencial para investimentos.

As comunicações não representam um mero serviço público. As comunicações são hoje, inequivocamente, o motor de todo o desenvolvimento social e económico. Quando pensamos nas comunicações, não devemos limitar o pensamento a uma simples rede. As comunicações são, instrumento de progresso, de unidade nacional e até mesmo um sustentáculo da democracia.

A convergência é um fenómeno imparável e que tem vindo a alterar os modelos de gestão das empresas e a postura dos próprios consumidores que são cada vez mais exigentes. As premissas políticas e as exigências do mercado estão a ditar o ritmo e a natureza da convergência.

A cada vez maior convergência tecnológica impõe novos desafios e novas soluções de serviços às novas lideranças. Dando exemplo disso, o Eng. João Avelino Manuel falou do aparecimento das NGN (Next Generation Network), que também resulta da convergência de várias plataformas de voz e dados, antes separadas, e que colocam novas oportunidades e novos desafios.

Novas estratégias estão a ser desenvolvidas com vista à optimização do desempenho, à exploração de oportunidades de crescimento interno e externo, bem como na prevenção do chamado customer churn.

A convergência é um fenómeno irreversível porque assenta fundamentalmente na pressão do mercado e na evolução tecnológica. Segundo o Vice-Presidente da AICEP, “estamos a assistir a uma mudança de paradigma que está a trazer transformações a todos os níveis.Não existem soluções padronizadas. A visão deve ser pragmática e cada país deverá encontrar a sua solução.”

O Presidente do XVIII Fórum da AICEP concluiu que “hoje falamos de rede de empresas, rede de grupos, rede de pessoas, e falamos de “nós” que interligamos diversas redes. Isto significa que independentemente da vontade de cada um, estamos cada vez mais convergentes e mais conectados”.

 

 

Eng. José Carvalho Rocha

A sessão de abertura do XVIII Fórum da AICEP pode contar com a presença do Ministro das Telecomunicações e Tecnologias da Informação de Angola, José Carvalho da Rocha.

O Ministro das Telecomunicações angolanas referiu que este evento coincidiu com o período de preparação da celebração do dia 17 de Maio, «Dia Mundial das Telecomunicações e da Sociedade da Informação», que este ano teve como lema «Melhores cidades, vidas melhores com as TIC», o que leva a todos, incluindo a AICEP, a reflectir sobre o papel dos serviços postais, das telecomunicações e das tecnologias da informação em geral; a transformar as cidades, vilas e aldeias em espaços cada vez mais belos, mais verdes, eacolhedores, mais próximos e amigáveis e melhor geridos.

Por este motivo, o Eng. José Carvalho da Rocha está convicto que a AICEP, ao escolher o tema «Convergentes e Conectados» pretendia transmitir o seu propósito de continuar a ser o fórum privilegiado de concertação e troca de experiências, capaz de continuar a promover, entre os seus membros, a convergência de pontos de vista e de formas de actuação para que, em rede, sejam identificadas e implementadas iniciativas estruturantes que capacitem os operadores a contribuir decisivamente para o desenvolvimento económico e social. Tudo isto visa a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos no espaço da lusofonia, promovendo e potenciando a equidade territorial e a universalidade no acesso aos serviços de interesse geral, e deste modo fomentando a coesão social.

“A vida das organizações está intrínsecamente ligada a avanços e recuos, êxitos e fracassos. E a AICEP não pode ser excepção”, afirmou o Ministro das Telecomunicações de Angola, “o mais importante é que as organizações tenham uma visão clara e que sejam consequentes no cumprimento da missão a que se propuseram. É necessário que a AICEP continue visionária, como há 20 anos, de modo a poder liderar a actual convergência nos sectores do espaço da lusofonia., através da partilha de informação e reflexão, de acções de formação, de projectos de interesse e desenvolvimento comum, bem como através da divulgação de iniciativas das melhores práticas”.